Rádio Comunica

Ofício comunitário beneficia a voz do povo

Criado em 1998, o serviço de rádios comunitária visa atender as necessidades das comunidades. Além da pluralidade de assuntos, também é um veículo democrático que oferece aos moradores do bairro à oportunidade de expor temas que interessam os habitantes da região.

Essa interação mais próxima entre o meio de comunicação e o público ocorre frequentemente no serviço de rádio comunitária, sendo que seu principal interesse é a voz do ouvinte.

A rádio sobrevive para prestar serviços para a comunidade. Nela os moradores podem falar sobre todos os tipos de assuntos, desde possíveis problemas que afligem a região a eventos que estão ou ainda irão acontecer. Contudo todas as manifestações devem ser feitas com respeito e ética.

A preservação dos valores éticos e morais são essenciais no exercício de qualquer atividade, com a comunicação é importante exercer esses conceitos:

A lei de n° 9.612 de 19 de fevereiro de 1998 diz que;

Art. 4° As emissoras do Serviço de Radio fusão Comunitária atenderão, em sua programação, aos seguintes princípios:

III- respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família, favorecendo a integração dos membros da comunidade atendida.

IV- não discriminação de raça, religião, sexo, preferências sexuais, convicções político-ideológico-partidária e condição social nas relações comunitárias.

Então entende-se que todos que fazem parte do processo de comunicação não a realizam apenas para si mesmo, mas para uma quantidade incontável de pessoas.

Quando se discute sobre rádio comunitária várias opiniões, conceitos e avaliações diferentes surgem. Esse trabalho que tem por objetivo auxiliar uma determinada comunidade, muitas vezes acaba em discussão política e briga de interesses.

As rádios comunitárias despertam a curiosidade, e é vista por alguns pesquisadores como uma manifestação da sociedade, que deve ser estudada.

Colocando em prática a liberdade de expressão

Criar um projeto de rádio comunitária exige um grande empenho da comunidade. Como é difícil conseguir uma outorga, muitas comunidades optam por criarem pequenas programações transmitidas em alto falantes em lugares estratégicos do bairro.

Esse é o caso do radialista e educador José Luiz Adeve, conhecido como Cometa. Ele trabalha na Fundação Setubal, onde criou alguns projetos de rádios comunitárias. Conheça agora um pouco de seu trabalho:

Diário de uma Cinéfila: Uma das características da rádio comunitária é a pluralidade de assuntos. Como são selecionados, os assuntos. Como a comunidade participa dessa programação?
Vivo uma experiência aqui em São Miguel Paulista, no bairro Jardim Lapenna, onde temos uma rádio de rua que acontece na feira dessa localidade, todo domingo. Fazemos reuniões de pauta com as pessoas do bairro, para que elas, aos poucos, apropriem-se desse veículo. Sugiro que as rádios comunitárias intervenham no espaço público, na rua e nas escolas, desse modo às pessoas passam a entender o sentido político e de transformação social ativa desse veículo de comunicação.

Diário de uma Cinéfila: A rádio comunitária deve sempre preservar os valores éticos e morais da pessoa e da família, dar oportunidade para a exposição de diferentes temas. Como é feito esse “contato” do público com a rádio?

A rádio tem que ir até o público, envolvê-lo, fazê-lo participar, para que ele se sinta protagonista dessa ação comunicacional. A preservação dos valores éticos é preponderante em qualquer atividade de comunicação, e o que sempre facilita esse processo é agregar a educação à comunicação, para tanto existe uma ciência denominada educomunicação que facilita a criação e desenvolvimento de conteúdos éticos, e que ampliem o universo cultural de quem faz a rádio e consequentemente do público ouvinte.

Diário de uma Cinéfila: Já houve algum problema, em relação à falta de ética na rádio em que trabalha? Qual? E como foi solucionado?

Não. A rádio que trabalhamos é diferente de uma emissora com outorga, ela decorre de um processo educativo com a comunidade, alunos e professores das escolas.

Diário de uma Cinéfila: O que é necessário para se implantar uma rádio comunitária em um determinado bairro?

É necessário um caminho que surge de um processo de educação e de respeito pelas pessoas, considerando que uma emissora comunitária é composta de pessoas que tem como intenção contribuir para a transformação social, e que esse objetivo é atingido quando existe um caminho, no qual a educação é fundamental. Para se implantar uma rádio é necessário um processo de formação humana.

Diário de uma Cinéfila: Se as rádios comunitárias não têm fins lucrativos, quais os procedimentos para a arrecadação de verbas?

Penso que as rádios precisam ser entendidas pelas comunidades como de fundamental importância no processo de desenvolvimento local. Nada impede legalmente que as rádios comunitárias possam inserir nas suas programações citações publicitárias, não de produtos, porém de marcas, nomes das empresas. Penso numa ação colaborativa de comerciantes das localidades que anunciam o nome de seus estabelecimentos. Além disso, essas emissoras quando organizadas e concebidas num processo educativo, o qual tem em seus propósitos a comunicação para transformação social, precisa também desenvolver concomitantemente um trabalho dentro das escolas e utilizar o aspecto virtual.



Conhecendo os dois lados

Como toda atividade as rádios comunitárias também têm seus problemas. Disputa de interesses, problemas com lei, são apenas exemplos do que as rádios comunitárias podem enfrentar.

O jornalista e diagramador Jonis Lemos, que trabalha no Jornal União pela Trancredo, no Rio Grande do Sul, já foi presidente da Associação de Integração Comunitária do bairro Urlândia, entidade mantedora da rádio Integrada FM (comunitária) que opera na frequência 89mhz, conta o outro lado das rádios comunitárias.

Diário de uma Cinéfila: Qual a ética adotada no trabalho de rádio comunitária?

As rádios comunitárias, aquelas que de fato e direito são constituídas para servirem as comunidades, geralmente adotam o Código de Ética elaborado pela ABRAÇO – Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária.

Basicamente as emissoras de radiodifusão comunitária devem possuir o compromisso de contribuir com os projetos de educação social da comunidade, promover campanhas educativas e de esclarecimentos, compromisso de defesa dos direitos da cidadania e sua programação sempre norteada pela valorização da vida e respeito pelas diferenças.

Diário de uma Cinéfila: Qual a diferença das rádios comunitárias para as grandes empresas de rádio?

São muitas as diferenças, mas a principal e de fundamental importância reside no fato das rádios comunitárias serem geridas e administradas pelas pessoas da comunidade. Assim, fazendo com que sua programação seja voltada para os interesses desta comunidade. Fundamentando-se numa  conjunto de valores como o respeito à vida, ao ser humano, ao meio ambiente, etc.

Outro fator que deve ser mencionado é que as rádios comunitárias não possuem fins lucrativos, diferente das rádios comerciais onde a ética é fundamentada no mercado e seus valores estão ligados ao lucro.

Diário de uma Cinéfila: Como a rádio ajuda a comunidade nos problemas locais?

A rádio é uma grande ferramenta de mobilização, através dela é possível atingir a totalidade da comunidade, sendo possível somar os interesses em torno de alguma reivindicação necessária para a comunidade. Também a rádio comunitária é uma ferramenta poderosa para realização de campanhas de esclarecimentos e conscientização

Diário de uma Cinéfila: E quando uma rádio comunitária não exerce fielmente seu papel?

No meu ponto de vista, a única maneira de reverter este quadro é a informação, expondo o que de fato são e para que servem as rádios comunitárias, a maioria das pessoas não possuem nenhum esclarecimento sobre o assunto. As emissoras comunitárias só vão ser de fato e de direito comunitário quando o povo entender que o meio é seu, não de oportunistas que se apropriam delas como se fossem os donos. Uma rádio comunitária não deve ser apenas porta-voz da comunidade ela deve ser o povo, sem os moradores do local, deixa de ser comunitária.

Infelizmente, o que se vê atualmente são pseudos rádios comunitárias surgindo em todos os cantos do país, muitas destas emissoras com outorga do Ministério das Comunicações, rádios que são copias fiéis das emissoras comerciais e que não prestam nenhum serviço relevante para a comunidade, pelo contrário, muitas destas emissoras difundem um entretenimento disfarçado como cultura, alienando o povo com sua programação nada diferente das comerciais.

Diário de uma Cinéfila: Essas rádios que não cumprem seu dever recebem alguma punição? A comunidade não se manifesta nessa situação irregular?

A falta de conhecimento das pessoas sobre o assunto de radiofusão comunitária assegura a existência dessas emissoras de fachada. Quem deveria denunciar ou cobrar para que fosse cumprida a verdadeira função da emissora são as pessoas, que não fazem por não conhecerem seus direitos.

Certa vez denunciei ao MPF (Ministério Público Federal)  que enviaram o oficio ao Ministério das Comunicações, informando a denúncia e o Ministério enviou o ofício a emissora concedendo 15 dias para a rádio se defender das acusações, a rádio encaminhou sua defesa ao Ministério das Comunicações e este enviou ao MPF que arquivou a denúncia.

Diário de uma Cinéfila: Quais foram às irregularidades que você encontrou nessa rádio?

A emissora é uma replica de uma rádio comercial, não oferece nada de útil para a comunidade, não trabalha os interesses dos moradores da região, e o mais absurdo é que vende espaço de sua grade para igrejas, conduta não permitida por lei. Não abre espaço para as pessoas exercerem o direito a comunicação, não promovem a e cultura e tão pouco a educação. Está emissora já tem cinco anos de vida e não oferece nada que contribua para o crescimento da região.

Diário de uma Cinéfila: Então, neste caso a outorga apenas serviu para permitir o uso incorreto do meio comunitário? Quanto à fiscalização não há?

Enquanto não houver compreensão por parte da comunidade que as rádios comunitárias são ferramentas suas, e que foram construídas para servir a população esse uso incorreto vai acontecer. Nesses casos mencionados de rádios outorgadas o que a gente percebe é que elas servem apenas a pequenos grupos, seja político ou religioso.

As entidades sociais e outras organizações comunitárias são quem devem fiscalizar e denunciar o uso incorreto dessas emissoras, enquanto não houver essa parceria, as rádios serão utilizadas de maneira errada.


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14 respostas em “Rádio Comunica

  1. sabe, na minha opinião o mais frustrante é fazer um post legal, e vir alguns idiotas e postarem comentários desconexos, fora totalmente do contexto, isso sim desanima, mas acho que não deveriamos esperar muito deste povo que achamos nas comunidade de redes sociais, não é mesmo?

    enfim, um ótimo post, conhecia pouco sobre rádios comunitárias, de fato uma grande barreira para esse meio de melhorar as comunidades em que tem influência é o maldito desejo pelo acumulo monetário ao qual somos vitimas, assim só contribuindo ainda mais para o desenvolvimento egoísta do individuo e esquecendo do verdadeiro objetivo da dita “radio comunitária”, é triste ver como as pessoas conseguem fechar os olhos para os problemas dos outros enquanto se entorpece com prazer momentâneo ..

    http://bonecozumbie.blogspot.com/

  2. Que bacana a entrevista. Muito bom conhecer um pouco mais sobre este profissional e tb debater sobre as rádios comunitárias, assunto que julgo de grande importância.
    Seu post me fez lembrar dos anos da faculdade, onde fazíamos vários trabalhos do tipo em diversas comunidades. Dou muito valor!
    Um beijão, querida. Amei o seu espaço e por isso, estou te seguindo. Virei sempre por aqui para conferir as novidades.
    Me visita tb e se gostar, tb me segue, ficarei mto feliz.
    Até a próxima 😉
    http://www.nicellealmeida.blogspot.com

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